segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Visit Esposende - o que ainda não foi feito

O renovado site do Município dispõe da opção de leitura em diversas línguas, que não apenas o português. Para além dos óbvios inglês, francês e espanhol, também os internautas oriundos do Japão, Rússia ou China, entre outros, poderão aceder aos respectivos conteúdos. Nada a apontar ao multilinguismo do site, pelo contrário, só acrescenta valor ao mesmo. 
O problema que aqui levantamos é outro, aliás, já abordado no passado. Com efeito, o Município dispõe também de outro site, desta feita especificamente vocacionado para o Turismo e a sua promoção. Falo do Visite Esposende (http://www.visitesposende.com/pt).
Em 2014 demos aqui conta da ausência de versões do site noutras línguas que não o português. Alguns meses mais tarde, o site adquiriu a sua versão em inglês. E quando se esperava pelo próximo alargamento a outras línguas, eis que, volvidos 3 anos, o saldo permanece o mesmo: português e inglês.
Sendo Esposende destino preferencial de forasteiros provenientes de Espanha e França, seria expectável e natural que o Visite Esposende dispusesse também de versões em espanhol e francês. No entanto, não é o que sucede. 
E esta omissão torna-se ainda mais incompreensível quando através do site do Município (que dispõe de versões nas mais variadas línguas) o leitor espanhol ou francês é brindado com ligação para o Visit Esposende, em espanhol e francês, para depois, ao entrar no site, confrontar-se com a ausência do mesmo na sua língua.
Fica, pois, o apelo para que rapidamente possam colmatar estas lacunas no site do Visite Esposende, de modo a que a promoção de Esposende e do turismo no concelho seja mais alargada e eficaz.

sábado, 14 de outubro de 2017

Esposende Rádio, um fantasma.

Ainda hoje me surpreendo quando o rádio pára nos 93.2 MHZ e ouço algo.

De repente é como regressar a 1999, nos tempos em que tínhamos rádio e a rádio era um local de informação, debate e de vivência da sociedade esposendense. 

A frequência que hoje pertence à Esposende Rádio é alimentada por uma máquina que debita uma lista programada de músicas sem que existe uma intervenção humana, resumindo, assemelha-se a um paciente em morte cerebral que apenas sobrevive com a ajuda das máquinas, é como se de um fantasma se tratasse.

Está na altura de alguém perguntar se a medicina actual têm uma resposta para este problema, ou seja, se existe alguém disposto a ter um projecto de longo prazo com pés e cabeça para revitalizar a rádio ou se alguém desliga a respiração artificial e acabamos com isto de uma vez por todas. 


Como se diria na minha terra, nem a rádio morre nem a gente almoça.   

A era de Benjamim, 2º Capítulo.

Começa hoje o segundo mandato de Benjamim Pereira que terminará em 2021 com um elenco executivo totalmente renovado e de sua autoria.

Tal como ele afirmou na tomada de posse, neste momento não existem muitas mais desculpas para falhas e incumprimentos de objectivos.

Espero que para bem de todos os que vivem e trabalham neste concelho que a vivacidade e o mar de opiniões e ideias sobre como desenvolver no futuro este concelho não terminem e que isso se traduza numa maior participação e escrutínio dos órgãos municipais e das juntas de freguesias.

A ver vamos.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Rir é o melhor remédio

Enquanto o PSD teve a dupla João Figueiredo/Joana Gramoso a trabalhar brilhantemente a comunicação da campanha, o CDS recrutou os ofícios do antigo ministro da informação iraquiana, Mohhamed Saeed Al-Sahaf. Não acreditam?

27/9 às 21:03 Cada dia que passa mais o cansaço se faz sentir mas estamos cada vez mais perto de uma grande vitória. Para nos que diariamente andamos na rua, já não há dúvidas: O CDS vai mesmo entrar pelo meio 

26/9 às 13:22 · CURVOS. Artur Viana sabe que o resultado de Domingo lhe vai sorrir. Uma subida nas sondagens que o colocam como a grande alternativa é um dos vencedores da noite eleitoral. Esta manhã, descontraídos como sempre, passeamos em Curvos onde registamos este peculiar momento.

VILA CHÃ. Estivemos ontem pela tarde em Vila Chã. Freguesia onde alguns dos nossos candidatos têm uma afinidade que se confirma a cada conversa, a cada pessoa com quem nos cruzamos. Domingo, Vila Chã será uma das surpresas do CDS (nota: e foi de facto. Em 730 votantes, os centristas conseguiram…32 votos).

Estamos a pouquíssimos votos de um resultado histórico no concelho. Os indicadores que temos indicam uma subida estrondosa do Partido nestas eleições.

No início da segunda semana da campanha, muito se vai vendo e até sentindo ou antevendo. E o CDS terá o seu merecido reconhecimento dia 01. Esta sessão em Apulia é a confirmação de que o resultado será risonho.

Mais pérolas retiradas daqui.

Análise aos resultados: Autárquicas 2017.

Uma das eleições autárquicas que nos últimos anos maior interesse despertaram são sempre uma boa de fonte de interpretações e leituras políticas e do estado dos partidos.Penso que muitos concordarão que a sociedade do concelho de Esposende volta a ser isso mesmo, uma sociedade e que não só na política se vive um renovado interesse nas instituições do concelho.
Mas como em todas as eleições existem vencedores e vencidos, lados com ganhos e lados com perdas. 

Benjamim Pereira foi claramente o grande vencedor. Perdoem-me a imagem algo pueril, mas olhando para os  resultados Benjamim Pereira fez-me lembrar a selecção francesa nos tempos de Zinedine Zidane, uma força tranquila.Muitos o consideram como um candidato algo apagado, envergonhado e com pouca capacidade de debate e resposta mas mão só consegue uma percentagem histórica para o PSD como consegue aumentar em quase 2000 votos o seu número de votos em relação a 2013 fazendo a direita manter os cerca de 13.000 votos que lhe cabem em todo o concelho de Esposende. Com 6 vereadores eleitos consegue a maioria e coloca João Cepa como líder da oposição tendo uma vida mais facilitada na gestão camarária. Apostou em não responder aos ataques de maior índole pessoal que lhe sempre foram sendo feitos pela oposição deixando-a a falar sozinha, não tendo apostado na massificação das redes sociais, apostou no contacto das pessoas e nos seus representantes nas assembleias de freguesia. Mas nem tudo será laranjada para o PSD neste próximo mandato. Com João Cepa como vereador a oposição será efectiva e institucional e terá de haver respostas às perguntas e aos desafios que lhe serão colocados de uma forma mais célere e dinâmica já que existem 2 factos que não podem ser esquecidos: Benjamim Pereira contou com uma considerável dose de votos na lógica "anti-Cepa",um trunfo que não se joga 2 vezes na cabeça dos eleitores, e terminou o período de adaptação ao cargo, é necessário deixar mais cunho no concelho.

João Cepa é o grande derrotado destas eleições.É interessante fazer um paralelo entre ele e Valentim Loureiro, também candidato independente a Gondomar este ano, e perceber que nenhum deles percebeu o que aconteceu ao seu antigo camarada de partido, Luís Filipe Menezes na corrida ao Porto em 2013. Tal como Valentim Loureiro, João Cepa volta a uma Câmara onde já foi feliz sem o perfume do poder e ambos enfrentaram uma dura verdade da vida política, nem todos gostam dos resquícios do perfume de poder. Ambos, tal como Luís Filipe Menezes, partiram de uma ideia muito própria de que ainda eram queridos e admirados por um boa parte do povo, o orgulho em dizer que ainda eram tratados por "presidente" é comum aos 3, e não foram além dos 20%. João Cepa apostou numa campanha muito centrada no Facebook e na presença física com um grupo dinâmico de jovens que o acompanhava em todas as arruadas o que criou, e neste domínio muito bem pensado, uma sensação de vaga de fundo sobre a lista que de outra forma teria sido impossível de ter. Mas, tal como Luís Filipe Menezes, acabou em modo "tinto e porco no espeto" ao terminar a campanha na Quinta da Malafaia, um momento em que deveria ter enfrentado a aridez da praça pública e colocar à prova a sua popularidade com um comício numa noite fria de nevoeiro. João Cepa é o líder da oposição esposendense e agora cabe a ele gerir o futuro da JPNT: Ser uma opção válida como candidato para 2021 ou fazer o seu percurso até ao final do mandato e abandonar a lista para outro concorrente. Seria um enorme desperdício deixar todas as caras novas que entraram pela 1ª vez num lista política desaparecerem. Cabe a João Cepa fazer perceber se a JPNT será lembrada por ter sido uma verdadeira alternativa ao PSD em Esposende ou se por outro lado será apenas lembrada pelo caos e rupturas que gerou nos partidos alheios e ser apelidado do "Gorbatchov Esposendense".  

Manuel Enes de Abreu, e o PS, foi um dos lados com ganhos nestas eleições. Evitou a extinção do partido depois da saída de algumas das mais constantes e importantes figuras do partido, perdeu cerca de 33% dos votos para a Câmara, ganhou 2 juntas de freguesia e teve quase o mesmo número de votos para as juntas de freguesia e acima de tudo mostra que esta lista e este grupo de pessoas são claramente  melhor hipótese do PS-Esposende voltar a ser uma alternativa ganhadora neste concelho.
Uma campanha pensada com mais calma e mais implementada teria evitado a fuga de votos para o PSD e JPNT e hoje teríamos uma surpresa ainda maior com um PS  a discutir o 2º lugar. 

O CDS-PP e Artur Viana foram um dos lados com maior perdas nesta noite. O  cenário de perda de mais de metade dos votos deixa um travo amargo no partido e João Pedro Lopes terá de acalmar e pacificar as hostes depois deste resultado, com a certeza porém de que os mesmos que não estiveram com ele depois da ruptura com João Cepa serão os primeiros a aparecerem a bradar por mudanças.Algo me diz que a distrital terá uma palavra forte a dizer sobre o futuro do CDS-PP. Artur Viana tinha uma das melhores campanhas, tinha um programa altamente concretizável, por vezes curto nas medidas, mas  foi vítima do voto útil que terá sido canalizado para Benjamim Pereira ou João Cepa. Artur Viana, honra lhe seja feita, conseguiu fazer esquecer que não tinha sido a primeira opção, e isso já é um grande feito.  

Manuel Carvoeiro terá tido uma noite agri-doce. Ficou longe do vereador desejado e que tinha colocado como objectivo no início da corrida,ficou a 35 votos de bater o CDS-PP no total para a Câmara Municipal mas bateu os democratas-cristãos em todas as outras votações o que atendendo à diferença de meios é algo de notável. Fica a sensação que com um pouco mais de divulgação hoje a CDU poderia ter tornado a noite do CDS-PP ainda mais crítica. Será necessário à CDU alargar ainda mais o seu leque de interlocutores com o povo esposendense para disparar nas votações. 


Como nota de rodapé, deixar aqui o agradecimento à Esposende Serviços que neste momento é um verdadeiro serviço público na informação esposendense, se eles não o fizerem mais ninguém o fará.



sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Análise ao candidato: Manuel Carvoeiro.

 A CDU continua igual a si própria e é isso que a faz resistir a todas as Quedas do Muro de Berlim desta vida.

 A CDU joga uma cartada forte nestas eleições quer a nível nacional, regional e também local e isso reflete-se nos cuidados com a escolha dos candidatos e com o tipo de campanha que têm feito.
Existe um novo ímpeto na máquina autárquica da CDU, vendo uma hipótese de secundar o Bloco de Esquerda em termos de implementação nacional e ser novamente um parceiro incontornável para o PS para o obrigar a negociar com a CDU as mais diversas medidas, e esse ímpeto foi dado pela vitória em Loures.

 Por muito que isto custe aos políticos paladinos do "economês" e conhecedores dos "negócios" e da "indústria", o concelho com o salário médio mais elevado e maior taxa de população licenciada em todo o Portugal é gerido pela CDU.

Em Esposende, e dada a situação do PS, a CDU têm uma boa hipótese de tomar as rédeas da esquerda e marcar o passo no que toca à oposição ao executivo de centro-direita que governará Esposende podendo assim tornar a concelhia num importante foco na distrital.  A CDU aposta forte na conquista de 2 vereadores em Braga e reforço de votação no Porto, o que para isso não deve ser alheia o descontentamento geral de uma boa parte da população que não se vê representada e defendida nos seus mais básicos direitos e que viu parte do seu emprego desaparecer com o afundamento da construção civil e indústria falida, aqueles para os quais o milagre económico do sacrossanto turismo do Norte ainda não chegou.

 A presença mais assídua de elementos da distrital de Braga em ações de campanha daria toda uma outra amplitude à candidatura e a destacaria das outras candidaturas já que mais uma vez parece que os partidos nacionais se esqueceram das nossas concelhias. Sugeriria a presença mais frequente de Agostinho Lopes, um dos poucos deputados em Portugal que ainda consegue articular um pensamento ideológico de forma interessante e cativante.

 Mas o voto no PCP, ou na CDU, nunca é fácil, é sempre um voto complicado para muitos, é  necessariamente um voto cultural, de resistência e luta constante, conhecedor e defensor da história a que os PC's estão intrinsecamente ligados, quase granítico nos seus princípios básicos, de defesa dos direitos que podem ou não estar na moda e acima de tudo um voto no "todo" e não apenas no candidato. Para os menos conhecedores é sempre mais fácil votar no Marinho e Pinto ou numa lista de independentes que esteja a cavalgar a opinião corrente.

E isso reflete-se na campanha e nas pessoas que ela integram.

 A campanha da CDU-Esposende é claramente aquela que menos recursos têm, nos dias antes do arranque da campanha era possível ver Manuel Carvoeiro e Pedro Meira a colarem cartazes durante a madrugada não para a fotografia mas para a campanha em si, algo que poucos cabeças de lista o poderão dizer, mas é a mais autêntica em termos de entusiasmo dos participantes já que dificilmente existe o arrastar de pessoas para as ruas para fazer número. Seria necessário uma maior presença nas redes sociais, mais atempadamente para conseguir um efeito de dispersão de ideias e de medidas mais eficaz e substituir os cartazes por brochuras ou folhetins que têm maior impacto na população. 

 Manuel Carvoeiro será no atual panorama político esposendense o homem que mais campanhas têm nas pernas e isso não é tão descartável como possa parecer. Vivendo da vontade e do ânimo dos seus líderes e dos seus apoiantes que eleição após eleição dizem "Presente!" a este combate na mais genuína filosofia preconizada por Lenine : A luta do proletariado apenas será vencida com um partido uno como um exército e assente numa disciplina férrea!

 Palavras antiquadas dirão alguns, desenquadradas com a realidade dirão outros, mas olhando para o nosso panorama político local direi que são palavras que exigem honra, nobreza de carácter, coluna vertebral moral algo que certamente não é para todos os que estão na política neste momento não sendo por acaso que o PCP foi aquele partido que menos desertores teve para a lista de João Cepa, se é que teve algum. Não houve muitas reconsiderações, muitas novas visões, muitos novos desafios, muitos novos ciclos, muitos apelos, muitas correntes ou bater com a porta como noutros. Sem fazer grandes alarmes olhamos para as listas da CDU e verificamos que a proporção entre homens e mulheres nada fica a dever a outras listas que fizeram disso uma disputa. 

 E esta forma de estar vê-se no seu programa eleitoral, um programa curto, seco e orientado às necessidades básicas nem sempre sonantes e populares na espuma dos dias.

 Não vemos grandes obras, grande gastos de cimento, grandes intenções de projetos, o grandes intenções de propostas de cooperação a entidades e isso dá um sentimento de maior realidade e veracidade a um programa eleitoral.

 A medida que mais me ficou na retina foi a continuidade na revindicação do alargamento do Metro do Porto até Esposende, naquele que seria um salto qualitativo na vida de muitos esposendenses e que é uma luta esquecida pelos concorrentes à direita sabendo da derrota certa. Outras propostas interessantes são a de equivaler o acesso dos habitantes de Esposende ao Hospital de Viana do Castelo e de Barcelos como os habitantes desses mesmos concelhos e a de potenciar a recuperação das fachadas dos prédios e casas dos centros urbanos do concelho como forma de recuperação urbana sem ceder à tentação do betão. 

 Como lado mais negativo teria de apontar a necessidade de maior acutilância nas propostas referentes ao comércio e indústria e sobre o trabalho, um dos terrenos prediletos da CDU e onde o concelho carece de ação e de dinamismo e onde todos os ganhos são sempre um trunfo válido. 

 Não é fácil ser um elemento do PCP num concelho maioritariamente de direita quanto mais ser um vereador do PCP num concelho de maioria de direita há décadas e Manuel Carvoeiro deve saber bem isso.

Tenho dito.


quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Análise ao candidato: Benjamim Pereira.

Fazer a análise de uma candidatura de um candidato que sempre tentou não ser político é algo complicado mas sempre possível, e não sou daqueles que pensa que não ser político é uma qualidade . 

Benjamim Pereira levou o seu mandato com o registo de um político pouco político, usou do silêncio para deixar a oposição a falar sozinha mas destas eleições vai sair uma oposição política em todos os órgãos autárquicos o que o obrigará  a ser um político e esta é a altura para a sua transformação.

Nunca houve um presidente da Câmara com uma tal oposição opinativa e o seu silêncio quase sempre foi visto como um sinal de franqueza. Enquanto escrevo estas palavras as redes sociais inundam-se de comentários sobre como as cartas de apoio a Benjamim Pereira dizem de uma forma taxativa que João Cepa é muito melhor presidente do que ele. Querem um melhor exemplo? Penso que não seja necessário. 

Considero que em termos mediáticos a sua campanha foi bi-polar e faltaram limar algumas arestas para a tornarem na melhor máquina de propaganda destas eleições, faltou por vezes ser mais político.

Não nos brindou com a habitual última semana carregada de inaugurações que caracterizava os últimos dias de campanha dos seus antecessores do PSD que estiveram no comando da Câmara Municipal e que nos deixou momentos memoráveis como a inauguração do Largo dos Peixinhos no último dia de campanha para ser posto novamente em obras passado pouco tempo ou a interrupção no último dia de campanha das obras da construção do monumento de homenagem ao Homem do Mar para não influenciar os eleitores.Aproveitou as inaugurações e o lançamento da 1ª pedra efectuadas até ao mês de Agosto nas obras e requalificações levadas a cabo podendo assim expor-se à crítica num período em que essas críticas ainda não afectariam muito a sua imagem. Uma boa jogada táctica.

Aposta claramente na máquina do partido e nas suas representações nas freguesias para mobilizar o seu eleitorado quer em termos publicitários quer em termos de acção de rua e de eventos que desta vez contaram com duas incursões por eventos festivos, a "sexta das mulheres" e a festa da JSD, um tipo de eventos que nas campanhas eleitorais me parecem uma casca de banana: um pequeno deslize e dá-se um grande trambolhão.

A presença nas redes sociais fez-se sentir demasiado tarde, o que poderia dar uma ideia de uma certa desmobilização por parte dos seus apoiantes e ainda não tenho na minha caixa de correio o exemplar impresso do seu programa eleitoral o que poderia ser lido como sobranceria da sua parte.  

E esta é uma situação que não teria muita razão de ser. É dos poucos que elabora um conjunto de vídeos com os seus elementos de lista falando no que os leva a apoiar Benjamim Pereira e dos poucos, senão o único, que faz um acompanhamento das maiores acções de campanhas em vídeo, momentos em que Benjamim Pereira têm claramente mais à vontade. O seu site é o que melhor está elaborado e os vídeos de apresentação da campanha são de longe os melhores elaborados e nota-se o toque profissional até no hino que foi composto de propósito para Esposende, de eficácia discutível mas mesmo assim algo raro. 

Nos tempos que correm não só é preciso ter meios de divulgação das nossas ideias como é necessário fazer a publicidade certa na altura certa e é para isso que existem as máquinas de propaganda.

Um dos argumentos dos seus detractores foi o da fraca representatividade de mulheres e de caras jovens o que olhando para as suas listas vemos que isso não é totalmente verdade, até Alexandra Roeger é a vice-presidente da lista, mas faltou essa contra-argumentação da sua máquina de propaganda o que demonstra que para além dos meios temos de ter a reacção no tempo certo, tendo a máquina de propaganda muitas vezes deixado transparecer que ainda era uma máquina pesada. É preciso ser político nestas coisas.

Curiosamente, olhando para o seu programa eleitoral já vemos uma alma de político autárquico da nova geração. 

Utiliza muitas vezes os verbos "reforçar", "terminar","continuar", "reivindicar" sobre diversos temas não fugindo ao verbo "construir", mas neste caso sempre aplicado a médias e pequenas obras o que demonstra que sabe que os tempos que ai vêem não são certos nem como o dinheiro que o Estado central vai distribuir pelas autarquias. Retenho como propostas mais inovadoras o incentivo do desporto feminino no concelho, a criação de uma Livraria Municipal,transformar Esposende numa capital do Kite-surf, promover a existência de bares de animação da zona ribeirinha e a criação de um plano municipal para a juventude e esse nirvana da política esposendense dos últimos 20 anos, a abertura de um estabelecimento de Ensino Superior.

Por ventura existem partes do seu programa que necessitariam de maior vigor e que demonstram que a sua veia de política ainda necessita de crescer.

Falta claramente uma grande obra, que não o Parque da Cidade, para marcar o seu mandato e para marcar um ciclo em Esposende. Falta uma aposta forte e pensada na recuperação do centro da cidade de Esposende ou de qualquer outra zona devoluta do concelho, não se fala na recuperação de nenhum dos hóteis devolutos do concelho nem na orientação específica do turismo de Esposende para algum mercado específico, não se fala numa solução para a marina de recreio de Esposende e o seu aproveitamento, fala na requalificação da zona industrial em termos ambientais e de espaços verde em vez do seu aumento e dinamização, entre outras.

A não incidência do seu programa eleitoral sobre os assuntos económicos e da criação de emprego será a maior dessas falhas, já que esse foi um dos argumentos mais utilizados pela oposição durante o  seu mandato e que ele não atacou devidamente nesta 2ª corrida.,

A falta de empregos que permita a fixação das pessoas em Esposende é a mãe de todos os males da vida esposendense e o que nos impede sempre de poder chegar a outros patamares de desenvolvimento, uma espécie de pobreza histórica que nos persegue década após década. Não é um problema que nasceu com Benjamim Pereira mas é um problema que lhe cabe a ele resolver e que seria um cunho do seu mandato.

No final de contas Benjamim Pereira terá de perceber que ser Presidente da Câmara é um cargo político e para o levar a bom porto terá de ser político também.

Tenho dito.