domingo, 25 de setembro de 2016

As i-amizades à direita

As novas gerações de políticos que cresceram no ambiente de "redes sociais eletrónicas" fazem do seu comportamento nas mesmas o que aí vêm.
Falo da boa relação eletrónica entre João Pedro Lopes e João Cepa.
Apesar de hoje ser algo céptico em relação às redes sociais, sei que estas têm a capacidade de influenciar uma parte da nossa vida e que estes "i-políticos" revelam muito na forma como se movimentam nela.
Ele é comentários elogiosos, post's, partilhas, e gostos entre eles e isso faz-me pensar no que se vai passar à direita nas Autárquicas 2017.
Isto pode parecer muito colegial e até algo superficial, mas sendo que estes 2 "i-políticos" fazem da internet um veículo de publicidade e de disseminação das suas ideias, estas particularidades ganham uma nova amplitude.
João Pedro Lopes já apresentou a sua candidatura e até foi aquele que o fez no tempo correto ao contrário de todas as restantes forças políticas, enquanto João Cepa apresentará mais dia menos dia a sua candidatura ou então cai no ridículo eterno depois dos seus intermináveis artigos e recordações diárias das suas inaugurações no Facebook.
Tal como já havia aqui escrito, estes dois candidatos disputarão o mesmo espaço político e por esse facto esta aproximação indica-me que teremos alianças à direita contra o alvo-principal, Benjamim Pereira.
Se por um lado vejo como quase uma impossibilidade João Cepa fazer parte de uma lista encabeçada por João Pedro Lopes, já que teríamos um potencial candidato dentro da equipa e uma fonte de problemas e desconfianças, o contrário já me parece mais do agrado de João Cepa que ganharia um nome forte, competente e com "mundo" na sua lista.
Pode ser que o tempo me desminta mas aguardarei o desenrolar dos acontecimentos.
Mas antes de acabar, devo deixar aqui o meu elogio a João Pedro Lopes que foi o único candidato a avançar para a arena política e que se submeteu ao desgaste de quem é candidato antes de fazer uma barreira de publicidade negativa aos seus adversários. 

Verão 2016

Acabados de entrar em pleno Outono, não será exagerado afirmar que o Verão que passou foi muito bom para a cidade de Esposende.
O tempo quente proporcionou semanas de lazer muito boas, a programação do Município para a época foi bastante diversificada e apostou em nomes fortes, e tudo isso contribuiu para que a cidade, nesse período, estivesse consecutivamente repleta de turistas.
Seria interessante que, nas próximas semanas, pudessem ser conhecidos os números dos operadores económicos locais (lojistas, restauração, hotelaria), alcançados durante a época de Verão, por forma a percebermos em que ponto estamos e para onde poderemos ir.
Sendo o Verão a época de excelência da economia esposendense, é conveniente ter, em números, uma melhor percepção do impacto dos eventos que vão sendo organizados, sobretudo pelo Município, por forma a poder ser melhor planeado o Verão seguinte (reforçar a aposta nos eventos que captam mais pessoas, abandonar eventos menos conseguidos, introduzir novas iniciativas, etc.).
Talvez a ACICE e o próprio Município disponham desses números, mas não viria mal ao mundo se todos nós esposendenses também pudéssemos ter algum conhecimento, ou não fôssemos, afinal de contas, a par dos forasteiros, o alvo privilegiado de qualquer programação veraneante.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Basileia, o comprimido artístico

Foi a Seleção Nacional que me trouxe a Basileia, mas já há algum tempo que queria ver esta cidade, que é uma das mais desconhecidas na Suíça, a par de Berna, e não me arrependi.
Antes de mais, é preciso dizer que Basileia tem a população e a área de Braga e a partir deste dado tudo ganha uma grande relevância, porque ficam repetitivas as vezes que se junta as palavras "Basileia", "maior" e "mundial".
Basileia vive nas margens do Reno e é o ponto de convergência de 3 países - Suíça, Alemanha e França -, o que confere um cosmopolitismo engraçado à vida da cidade.

Dentro dela existem estações dos caminho-de-ferro franceses e alemães e existem rotas de elétricos e de autocarros que passam as fronteiras e obrigam a estar de passaporte na mão e que para a mesma linha de autocarro podemos ter de comprar bilhetes em francos suíços ou em euros.

O melhor exemplo disto é o Aeroporto, cujo edifício está divido por 2 países e que além de uma fronteira terrestre entre as lojas recebemos uma mensagem de "bem-vindo à França" sempre que se vai comprar uma garrafa de água no lado francês.
Mas não só de fronteiras se faz Basileia, também de indústria se faz Basileia.
Nesta cidade residem as sedes, centros de investigação e parte das fábricas de 2 das maiores farmacêuticas a nível mundial, a Novartis e a Roche.

Pelos restaurantes mais conceituados da cidade é normal ouvirmos um "inglês americano" e um "inglês suíço" a discutir amostragens, portarias, diretivas europeias, células, compostos e as pequenas empresas que servem de suporte a estes gigantes estão polvilhadas por toda a cidade.

Andando pela cidade fica logo na retina os edifícios que albergam os diversos departamentos destes gigantes. Desde o centro de compactação de comprimidos da Roche, até à biblioteca técnica da  Novartis, temos edifícios modernos, com traço de arquiteto e enquadramento no que os rodeia, mas também fica na retina o saudável vicio de integrar obras de arte nestes mesmos edifícios conferindo um ar menos pesado e mais humano a todas estas áreas.
Falando de edifícios é impossível passar ao lado das sedes destas 2 empresas.
Enquanto o edifício Roche é o mais alto da Suíça e nos fins-de-semana podemos subir ao seu topo e apreciar uma bebida no seu bar que fica no último andar e por si só já é uma obra marcante de arquitetura, o que dizer do campus-sede da Novartis?

O complexo da Novartis que é um espaço de trabalho, conta com edifícios dos mais nomeados arquitetos, Eduardo Souto Moura arquitetou um dos edifícios de suporte e é dos nomes mais modestos aqui presentes, passando por Siza Vieira até ao Fórum de Conferências edificado pelo inevitável Frank Ghery, passando ainda por um edifício de escritórios desenhado pelo gabinete japonês SANNA vencedor de um prémio Pritzker em 2014.  Sendo este um espaço de trabalho é apenas visitável durante o fim-de-semana. 
De finanças também é feito o tecido empresarial de Basileia, estando aqui a sede do banco UBS o que a torna o 2º maior centro financeiro da Suíça a seguir a Zurique, o que não é nada se se deitar fora.

Mas não só de fronteiras e comprimidos se faz Basileia mas também de arte se faz Basileia, e que arte.
Basileia orgulha-se dos seus museus e da sua coleção de arte que foi sendo adquirida inicialmente com o orçamento camarário e prosseguiu com a ajuda das grandes empresas que existem nesta região e que a eleva a poder ombrear com os gigantes de todo o mundo. 

Corre a lenda que Picasso quando soube que a cidade lhe iria comprar 2 quadros com dinheiro público ficou de tal forma comovido que ofereceu mais peças como forma de recompensar os habitantes da cidade e a cidade soube aproveitar este impulso.
O Kunstmuseum é um dos 5 mais importantes museus de arte contemporânea a nível mundial e nele se encontram inúmeros Picassos, Dalis, Monets, Van Goges entre outros, a exposição Art Basel que ocorre anualmente no moderno Centro de Exposições de Basileia é a mais importante feira de arte contemporânea a nível mundial e o Museu Vitra, dedicado ao design de mobiliário, é o mais importante museu de design do mundo no seu género oferecendo toda a interatividade que poderíamos esperar de uma loja do Ikea e isto diz quase tudo sobre o que é investimento em arte.
A vida também corre de forma calma e aprazível em Basileia.
O Reno faz as honras da casa e toda a cidade vive uma engraçada relação com o seu rio.

Ficam na memória os banhistas que às 8 da manhã levam as sua roupa dentro do saco impermeável (o "peixe") e descem o Reno como quem dá a sua corrida matinal na marginal de Esposende e à tarde os jovens que ficam a apanhar sol nas margens do Reno dando ocasionais braçadas rio fora.

As pessoas enchem os pequenos restaurantes que estão na margem do Reno como uma celebração do sol e do bom tempo numa forma muito nórdica e dão todo um ar de estância de férias que é pouco usual na Suíça e daqui também partem os cruzeiros que descem o Reno e que vão até Amesterdão ou à sua foz na Alemanha ou através dos diferentes rios podem chegar mesmo a Odessa na Ucrânia.
Sendo um fã da Suíça sou também um fã do seu modo de vida.
É bom saber que ainda existem países onde os jovens têm filhos e têm bons salários, as pessoas têm hobbies que não sejam apenas desportivos, onde ainda se fuma cachimbo por prazer, onde ainda existe tempo para as pequenas coisas, para os pequenos prazeres e para a família e mesmo assim existe uma economia competitiva e pujante, onde os produtos agrícolas além de nacionais são de elevada qualidade e os consumidores têm poder de compra para ter exigência, onde a escola pública é de qualidade e até contempla aulas de natação obrigatórias. 

É bom saber que ainda existem países onde não é necessário ser-se assexuado, assalariado, acrítico, abstémio para supostamente se ser moderno e competitivo.  
E a Seleção Nacional?
Admito que a derrota foi amarga já que por um lado não jogamos tão mal quanto isso e por outro porque ainda não acabei com a minha maldição de nunca ter visto ao vivo a Seleção a ganhar, mas acima de tudo porque a quantidade de emigrantes que foram ao Saint Jakob foi tal que mereciam um golo para festejar.
Mas sendo este o início da caminhada para o Mundial na Rússia é meu profundo desejo que em 2018 esteja aqui a escrever como foi a final de Moscovo com Portugal...  

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Análise à visita da Secretária de Estado do Turismo

Há cerca de 2 anos escrevi neste blogue que a empresa Kook Proof (Artigo Kook proof) era um dos possíveis modelos a seguir por parte da indústria de turismo de Esposende e esta visita comprova isso mesmo.

Para lá deste aspeto da  forma de fazer turismo, esta visita merece uma análise ao nível político concelhio.

Fica claro que nesta fase da vida política, apenas o PS-Esposende consegue trazer pessoas com cargos de vulto e que essa poderá ser uma boa estratégia para as autárquicas 2017: a máquina socialista a servir de catapulta ao candidato socialista a Esposende.

Interessante é perceber que nenhum dos vereadores da Câmara Municipal esteve presente nesta visita.

Sei que é uma visita inserida no périplo da referida secretária, promovida pelos deputados eleitos pelo PS do distrito de Braga, mas mesmo assim penso que quando alguém se apresenta como uma entidade governamental, todos os representantes do poder devem marcar presença. 
 
Mas mais interessante foi a reação da habitual oposição, em especial à direita, à Câmara Municipal, que foi nula.

Parece que ninguém importante cá esteve ou que visitas de secretários de Estado é algo normal, o que me leva a crer que esta reação poderá ter 2 leituras: ou a oposição à direita não quer chatear os seus partidos de origem ou o ataque à Câmara atingiria sectores da mesma que lhes são próximos e os poderiam colocar em cheque.

Com o tempo, esta dúvida se dissipará.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Depois do incêndio, os culpados...

Olho pela minha janela e vejo o Monte de Faro a arder...

Que não fique pedra sobre pedra até encontrar quem foi o responsável por isto.

É apenas isto que espero deste nosso povo.

Não peço "justiças populares" já que isso apenas beneficia quem prevarica, mas que não se façam silêncios sobre isto.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Da Medieval para o Renascimento.

Mais um ano, mais uma Feira Medieval.
Este evento é aquele tipo de evento que é difícil de inovar e que corre bem se não se tentar grandes acrobacias na organização, mas penso que seja tempo de introduzir novidades na Feira Medieval de Esposende.
Em primeiro lugar, olhando para os eventos similares mais conhecidos, podemos facilmente verificar que este tipo de eventos já começa a não ter a atração que tinha, o que me leva a pensar que quem queira sobreviver terá que inovar.
Em segundo lugar, penso que a GalaicoFolia é o evento "de época" com maior potencial turístico para o nosso concelho. É o mais característico e a envolvente no Monte de Faro faz quase tudo, colocando as pessoas no verdadeiro espírito das povoações que ali habitavam, e este deveria ser aquele que maior investimento deveria merecer por parte das forças vivas.
Em terceiro lugar, o imaginário medieval de Esposende e das suas terras é junto ao rio, ao mar, ligado ao sal e à pesca e embarcações.
E penso que esta deveria ser a grande evolução ou reorientação da Feira Medieval, termos uma Feira Medieval do Mar.
Algo ligado às pescas, aos barcos, às embarcações, ao comércio de peixe e do sal que esteve na génese do nosso concelho.
Além de ser uma lufada de ar fresco na Feira Medieval em si, era uma inovação a nível nacional e de certeza que seria motivo de interesse e de notícias na comunicação social.
Fica a dica.

Rescaldo dos bombeiros...

Desculpem este meu desabafo, mas a praça pública esposendense tornou-se um palco que se assemelha a uma intriga colegial.
Realço que quem menos falou foram as corporações de bombeiros e isso diz muito.
Estátua para aqui, estátua para ali, estátua bonita, estátua feia, etc., não sei quantos euros para aqui, empresas para acolá, blogues, críticas, o abjeto conflito Benjamim-Cepa a incendiar-se novamente, defesas de honra, comunicados, etc., etc..
Será que não temos nada mais importante para discutir? Não existe mais nada que os opinadores, políticos, apolíticos e restantes forças queiram falar?
Estamos no início do Ano Lectivo, por que é que o executivo e a oposição não ventilam uns puros e duros números sobre o aproveitamento escolar em Esposende, sobre o abandono escolar, sobre as qualificações médias dos jovens de Esposende? Seria mais produtivo.
Estamos no final da época balnear, por que não discutirmos qual o real impacto das políticas de atração turística para o concelho nesta época, quantas pessoas cá estiveram, como estiveram os hotéis, os cafés, os museus? Seria mais interessante.
Sei que estamos perto das eleições e tudo serão armas de arremesso mas não nos tomem por parvos.