domingo, 4 de dezembro de 2016

Ainda o canal!

Numa passagem por Guimarães na passada sexta-feira deparei-me com uma intervenção numa zona que num passado relativamente recente me era bem conhecida.

Questionando a razão da intervenção, eis aqui a explicação.

Conhecendo o problema do passado em que por lá andei, achei interessante a solução, tanto mais que se afigurava perfeitamente exequível por cá, sem necessidade de 4,5kms de trincheira em volta da cidade.

E sendo já conhecido o custo estimado do canal e da comparticipação do Estado, há uma questão que ainda não foi colocada ou pelo menos a resposta ainda não foi tornada pública.

Em quanto vai a estimativa de indemnizações a pagar aos proprietários? E de caminho: o montante previsto para a execução já contabiliza essas indemnizações, ou são contas distintas?

É que este valor, pelo menos por defeito já é conhecido do Município, uma vez que já notificou os proprietários das avaliações propostas!

E num "detalhe" destes, facilmente passa para 6 (ou mais) o que se anuncia custar 4 milhões.

Se alguém souber...

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Igreja de Esposende - ano novo, começo novo?

Há cerca de dois anos, a revista do Expresso publicou uma reportagem sobre 10 missas no país (5 em Lisboa, 5 no Porto) que estão sempre lotadas ao fim de semana, fugindo do registo de progressiva perda de fiéis nas Eucaristias, que, actualmente, caracteriza muitas das paróquias espalhadas pelo país fora. A missa do Campo Grande, em Lisboa, foi um desses exemplos.
Desde os meus tempos de estudante universitário, que fui paroquiano "emprestado" da igreja do Campo Grande e, sempre que calha estar em Lisboa no fim de semana, tento lá ir. Ontem, dia de arranque do novo ano litúrgico (Ano A - São Mateus), foi um desses casos. 
A missa em questão não foi a que ilustrou a reportagem do Expresso (missa das 12h do conhecidíssimo Pe. Vítor Feytor Pinto), mas outra que também não lhe fica atrás: a missa das 17h45, do jovem Frei Filipe. Para não variar, estava cheia, cheia.
Esta missa tem vários méritos: um padre cativante, com boa oratória, que chega a todos os fiéis, bons leitores, que não comem as palavras, não falam para dentro ou não lêem depressa, e um coro muito dinâmico, desde o número de vozes, passando pelos instrumentos que acompanham as músicas (viola, violino, instrumentos de sopro). Ah, e as músicas interpretadas costumam ser muito boas.
Durante a homilia, contava o Frei Filipe que nessa manhã, quando assistia à Eucaristia pela televisão, só lhe apetecia chorar, não de alegria, mas de tristeza, tantas eram as pessoas acima dos 70 anos que, na quase totalidade, ocupavam os bancos da igreja. Jovens, nem vê-los. Perguntava então, o Padre, o que é que se está a passar para os seus irmãos padres não estarem a conseguir atrair os jovens.
A pergunta, lançada pelo Frei Filipe, não se confina às quatro paredes da igreja do Campo Grande, encontrando eco pelo país fora. A igreja no concelho de Esposende é, também, bom exemplo de que há algo que não vai bem. Há muito tempo.
Se há missas, de norte a sul do país, que conseguem estar sempre cheias, então é porque o problema não se resume somente à falta de crentes. Seria uma justificação demasiado simplista e conveniente para deixar as coisas andarem como estão.
Neste ano novo litúrgico que ora se iniciou, seria bom que a igreja no concelho tomasse consciência que a fórmula adoptada nestes últimos anos não está a servir, tomando acção no sentido de vislumbrar e adoptar novas abordagens, à semelhança das boas práticas seguidas por outras paróquias (como a do Campo Grande), que contribuam para voltar a encher as igrejas locais, como sucedeu até um passado não tão longínquo assim. 

sábado, 19 de novembro de 2016

Lesados do Município

Pensava eu que o blogue do João Ratão seria o último fóssil da época dos blogues anónimos em Esposende mas enganei-me.

Agora temos mais uma página anónima que, tal como todas as outras, quer lutar contra esse monstro que é o Município e que apela à revolta popular em geral, os "Lesados do Município de Esposende".

Neste caso específico parece que existe um diferendo judicial entre o autor do blogue e a Câmara Municipal, o que para uma página que se quer anónima não deixa de ser estranho darem o número do processo em causa.

Não ponho em causa que a pessoa em causa possa ter sido mal tratada e que até tenha razão na sua causa mas começa a ser cansativo estas páginas e blogues "cometas" que aparecem e desaparecem e que apenas buscam a confusão e o arraial. Seria bom para  a sociedade e para o melhor funcionamento das instituições que estas páginas e blogues tivessem uma cara e um nome para que as causas e os casos tivessem um rosto.

Até que me provem o contrário, o anonimato é um sinal de fraqueza.

Espero apenas que os lesados das eleições para as concelhias dos diversos partidos à direita não se lembrem de utilizar os casos que por lá aparecerão para as suas causas.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Dia Nacional do Mar ou do esquecimento?

Desculpem mas não consigo resistir a esta provocação.

Pensava eu que iria ver os nossos políticos, apolíticos, bloguistas, partidos, autarcas, oposição, jornais a abordarem temáticas alusivas ao Dia Nacional do Mar, mas nada.

Admito que nem me debrucei sobre esta temática já que imaginava que a internet seria invadida com alusões às pescas, pescadores, desportos náuticos entre outros mas nada se passou.

Num concelho debruçado sobre o Mar, confesso que achei estranho.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Proteger a Clarinha de Fão

São o prato mais típico e mais conhecido do concelho de Esposende e é nesse que as nossas forças vivas deveriam apostar e divulgar, as Clarinhas de Fão.

Depois da tentativa falhada do "Polvo da Pedra" que pouco diz às pessoas e que pouca colagem tem ao concelho, está na hora de protegermos o que realmente importa.

As Clarinhas de Fão são um dos maiores cartões de visita do concelho e é uma das primeiras coisas que vêm à cabeça das pessoas quando se fala de Esposende além fronteiras concelhias, o que faz da sua divulgação e preservação da origem uma necessidade.

Nos tempos recentes fui presenteado com clarinhas de outras localidades que nada têm a ver com Esposende, com receitas que não são as originais e em alguns casos de baixa qualidade face ao original.

Podem imaginar a minha cara de espanto quando me disseram que em Famalicão existem Clarinhas de Fão.

É tempo de olharmos para este nosso produto e perceber que ou tratamos dele ou alguém o trata por nós.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

A Queda

A requalificação da marginal de Esposende tornou esta parte da cidade ainda mais apelativa e local privilegiado de locais e forasteiros para caminhadas e corridas sempre que São Pedro brinda o povo com um tempo fantástico, como foi o caso do passado domingo.
Infelizmente, a manhã dominical ficou marcada por um acidente que, de certo modo, já estava anunciado. Uma senhora fazia a sua caminhada, quando uma das travessas do passadiço, junto ao Pé no Rio, partiu, causando-lhe ferimentos numa perna.
Ao longo da marginal, nos passadiços de madeira, são visíveis alguns sinais de desgaste, desde pedaços de madeira partidos ou prestes a cederem. Quem olha para a imagem que ilustra este texto (retirada do Esposende Serviços) constata a fragilidade da resistência do passadiço (pessoalmente, considero que a zona que neste momento inspira maiores cuidados é o passadiço que liga as piscinas à doca de pesca). 
O acidente do passado domingo não deve ficar sem consequências. Para além do levantamento que importa fazer às partes do percurso que estão em risco de partir/ceder, tendo em vista a sua prevenção e resolução, convém, igualmente, avaliar a pertinência de uma intervenção de fundo, substituindo partes ou a totalidade do passadiço por materiais mais resistentes e de qualidade superior. O pior que poderá acontecer, para futuro, é serem feitos remendos e remendinhos ao sabor destes incidentes. O custo agregado final dessas intervenções muitas vezes acaba por equivaler ao valor a que corresponderia uma intervenção de fundo.

sábado, 12 de novembro de 2016

Havemos de ir a Viana

Aproveitando a época de Inverno em que Esposende está menos sensível aos temas turísticos e ao eterno "aparecer ou fazer", gostava de falar de Viana do Castelo.

Sou suspeito para falar de Viana do Castelo, já que é a cidade com que sinto maior afinidade, carinho e simpatia. Se tivesse de morar noutro sítio que não Esposende, era lá que morava. Sendo uma cidade minhota com uma vertente turística, as comparações parecem-me algo inevitáveis e as consequências do não "aparecer".

Começando pela cidade em si, a todos os estrangeiros que mostro as fotos de Viana do Castelo e que já tenham passado várias vezes por Portugal dizem que desconheciam aquela cidade, sendo normal muito deles já terem visitado Ponte de Lima e não Viana do Castelo, e que com certeza a querem visitar numa outra oportunidade.

Recordo aqui que Viana do Castelo tem uma das melhores pousadas do Grupo Pestana e um dos melhores restaurantes e bar a norte de Coimbra.

Olhando para os seus monumentos, da Santa Luzia à ponte Eiffel, passando pela Praça da República até ao novo parque da cidade passando pela Biblioteca Municipal pensada por Siza Vieira e pelo navio Gil Eanes e acabando nas praias, não podemos dizer que argumentos lhe faltem para atrair as pessoas e os visitantes.

E depois de falar  em monumentos, falemos de eventos.

A Sr.ª da Agonia é a maior romaria de Portugal e isso diz quase tudo, Viana do Castelo ainda conta com a passagem do Rally de Portugal nas suas freguesias desde que este passou a contar para o Mundial da especialidade e é a casa da Seleção nacional de ténis onde decorre a etapa portuguesa da Taça Davis. É o local de um dos melhores eventos de música eletrónica no país. Penso que poderemos dizer que só estes eventos já são satisfatórios e que fariam a alegria de muito autarca por esse Portugal fora. 

E depois de monumentos e eventos, falemos das infraestruturas.

Viana do Castelo conta com um dos mais importantes porto de mar de Portugal, tem uma ligação ferroviária e é um nó para diversas autoestradas. Mais uma vez, não me parecem argumentos de baixa-valia.

Mas a verdade é que Viana do Castelo não descola, não avança, não vê a sua indústria de turismo a florescer e a desenvolver-se como Porto, Braga ou até Ponte de Lima. Falta a publicidade, o anúncio, a comunicação, a atração das pessoas para a cidade e que mais tarde cria a "movida" e a "moda" de ir a Viana do Castelo.

Aquilo  que muitos criticam em Esposende, é aquilo que falta a Viana do Castelo e que lhe quase deita por terra os seus argumentos de ser uma das capitais do turismo em Portugal.

Pensemos nisto.